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NEUSA DOS SANTOS

NEUSA DOS SANTOS

07/04/1953
31/03/2026
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Homenagem a Neusa dos Santos

Neusa dos Santos nasceu em 7 de abril de 1953, em Laguna, Santa Catarina, filha de Antonio e Isabel. Cresceu em um lar de educação rígida, mas repleto de amor, união e valores sólidos, ao lado de seus irmãos Vera, Dirce, João, Nilton, Nildo e Antonio, com quem manteve um vínculo profundo ao longo de toda a vida.

Foi casada e construiu sua família com dedicação, sendo mãe de Andresa, Fabio, Patricia e Felipe, a quem educou com zelo, inteligência e muito amor. Professora apaixonada pela língua portuguesa, tinha prazer em ensinar e corrigir, sempre incentivando o crescimento e o aprendizado de seus filhos.

Ao longo da vida, também enfrentou diversos cânceres de pele, sempre com coragem e fé. Há cerca de 40 anos, enfrentou um dos maiores desafios de sua vida: um câncer maligno que, segundo os médicos, lhe daria poucos meses de vida. Mas, com fé em Deus e uma força admirável, viveu um verdadeiro milagre. Superou a doença e pôde acompanhar o crescimento dos filhos, conhecer seus 12 netos e 2 bisnetos, construindo uma história que foi muito além do que qualquer diagnóstico poderia prever.

Após sua separação, viveu de forma independente, mas nunca sozinha de espírito. Dedicou mais de 25 anos de sua vida ao voluntariado no Hospital São José, em Criciúma, junto à Rede Feminina de Combate ao Câncer. Esse trabalho não era apenas uma atividade — era sua missão. Levava alegria, conforto e esperança a pacientes em momentos extremamente difíceis. Muitos relatam que ela dançava, sorria e transformava o ambiente, tornando mais leve a dor de quem enfrentava o câncer.

Dotada de uma fé profunda, Neusa também praticava a imposição de mãos, aprendida no espiritismo, oferecendo alívio, paz e acolhimento espiritual a quem precisava. Seu dom de cuidar do outro era evidente, assim como sua sensibilidade e conexão com Deus.

Era uma mulher que se preocupava profundamente com a família. Todos os dias, enviava mensagens de “bom dia” desejando proteção e bênçãos, tanto individualmente quanto no grupo da família. Esse cuidado constante era uma das formas mais simples e sinceras de demonstrar seu amor.

Gostava de música, especialmente Beatles e Bee Gees, e encontrava alegria em dançar, muitas vezes sozinha em casa, vivendo momentos simples com leveza.

Tinha hábitos simples que revelavam seu coração: passeios, conversas, cuidado com a família e atenção com quem precisava. Era próxima de sua filha Patricia e de sua irmã Vera, com quem compartilhava o dia a dia e o carinho constante.

Mesmo valorizando sua independência, era profundamente ligada às pessoas. Se alegrava com o bem-estar dos outros, cultivava amizades e mantinha sua fé e espiritualidade presentes em sua rotina.

Também foi uma grande conselheira, sempre presente com palavras sábias para seus filhos e familiares.

No último ano, o câncer retornou, trazendo consigo um período de grande sofrimento. Mesmo diante das limitações, lutou com coragem. Após o retorno da doença, realizou uma última viagem significativa a Minas Gerais, um lugar especial para ela.

Em um dos momentos mais marcantes, antes de um procedimento delicado, ao ouvir de sua filha que tudo daria certo, respondeu com serenidade e um sorriso, apontando para o céu: “Deus é quem sabe, minha filha.”

Após a cirurgia, nos dias seguintes, apresentou uma infecção que agravou seu quadro. Permaneceu cerca de 20 dias internada, sendo cuidada com amor e dedicação por sua filha Patricia, seu genro Tiago e sua irmã Vera, que estiveram ao seu lado em todos os momentos difíceis até sua partida.

Neusa faleceu após dias de internação, deixando uma marca profunda em todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Em seu velório, inúmeras pessoas compareceram para prestar suas últimas homenagens — inclusive pacientes que ela ajudou, que testemunharam seu carinho, sua alegria e o impacto transformador que teve em suas vidas.


RELATO DE UMA AMIGA ESPECIAL, SIRLEI:
Sabe Fábio, uma das mais profundas marcas que ela deixou em mim foi o caráter, educação, honestidade, por ser uma mulher de honra, capricho, amor a Deus e a si própria, porque no longo tempo que convivi com ela nunca ouvi ela falando de homens, ela era uma mulher de muito respeito e muito recatada, sempre a elogiei muito por sua força, pelo fato de criar vocês muito bem, mãe sempre presente, amou muito, sempre me falou de cada um com muito orgulho, pelo que vocês são, eram a felicidade dela, a cada viagem ela vinha feliz me relatando com muita alegria os momentos, cada detalhe de estar na tua casa, falando da tua esposa, dos teus filhos, dos filhos da tua esposa, tudo com muita empolgação em fazer parte de vocês e também por tudo de melhor que vocês ofereciam pra ela, até comentei uma vez quando o Filipe e depois quando o Mateus também foram embora, nossa minha amiga, estão quase todos lá, tu não tem vontade de morar lá com eles, até comentei, eles te convidam, ela falou, sim, sim, se eu quiser eu tenho tudo, o Fábio me dá tudo o que eu precisar, mas eu não vou deixar o hospital, era essa a resposta dela, amor ao outro, muito amor.

A última vez, quando ela voltou daí, me falou com um olhar triste, com um sentimento de tristeza e melancolia, é amiga, eu acho que essa foi a última vez que eu fui pra Itália, eu sinto que não vou voltar lá nunca mais, eu a ouvi e senti uma névoa de tristeza no meu coração por sentir o que ela estava sentindo, porque bem como a outra voluntária falou, ela nos dava os puxões de orelha, e claro que em 13 anos juntas, todas as semanas, tivemos alguns momentos de contratempo, mas tudo se resolvia entre nós duas na mesma hora, eu sempre comentava, Neusinha, Neusinha, tu não perdeu o hábito de ficar me brigando, ela sorria e tudo passava com um abraço, era muito sincera em tudo e isso marcou muito pra mim, ela também sentia uma pontinha de ciúme, tudo o que eu fazia de agrado para as enfermeiras ela me cutucava, aí eu abraçava ela e dizia, ô minha querida Neusinha, eu também amo você, minha amiga, aí ela sorria feliz, meio sem graça, eu sempre vigiei pra nunca decepcionar ela, porque sabia que ela era sentimental e gostava muito de mim, sempre conversava e desabafava tudo o que sentia, na verdade por cima da casca grossa e forte ela tinha uma certa carência emocional afetiva muito forte, então ao decorrer do tempo, sempre juntas, eu aprendi a cuidar dela, tanto que pelos últimos anos juntas ela dizia, Sirlei, só vou fazer pedágio se tu for, eu só vou à reunião se tu for, eu só vou ao passeio se tu for, e assim foi até ela se afastar, há um ano atrás.

Ela também me ajudou muito com carinho, orações, nossa, muita oração, sempre que eu pude levei ela pra passear, pegava ela em casa, levava de volta, eu e o meu esposo, ela foi ao aniversário da minha neta, os pacientes gostavam muito dela, sempre perguntando por aquela voluntária que dançava, sempre com muito respeito.

Aqui uma parte pra lembrar com alegria da tua mãe, uma vez, há uns 11 anos atrás, ela estava dançando e um paciente, também de muito respeito, estava com a esposa, mas entrou na brincadeira e falou assim, há um homem nesse corpo, né Neusinha, nossa, tu não imagina o que eu presenciei, ela se transformou, ficou muito, mas muito brava mesmo, ela nunca mais conversou com ele, ficou muito revoltada, por mais que ele e a esposa dele juntos pediram desculpa pra ela, disseram que era só brincadeira, que gostavam muito dela, não teve jeito, ela não aceitou e não falou mais com ele, essa era a Neusa sendo a Neusa, saudades da minha parceira.

Tanto que um pouco antes dela se afastar, ela me falou, Sirlei, quando eu morrer eu vou vir aqui ficar contigo toda quinta, eu falei assim, não, não Neusinha, meu amor, eu te amo minha irmã de coração, mas quando tu morrer descansa no Senhor Deus, eu não quero que tu venha aqui, porque eu acredito que os espíritos de nós todos pecadores nunca voltam nem reencarnam, porque eu acredito na ressurreição da nossa alma, do Espírito Santo que Deus soprou em nós, e os que vagueiam não são espíritos de luz, os únicos seres de luz que eu creio são os anjos que Deus envia na terra pra nós auxiliar nas lutas da vida, tudo isso a gente sempre conversava, dialogava bastante, sempre com muito respeito, e quanto a ela dizer que ia voltar e ficar comigo toda quinta, que eu disse que não queria, ela dava risada, porque eu sempre falei, te amo Neusinha, mas depois que eu ou tu morrer, vamos descansar no Senhor, nada de querer voltar aqui, até uma vez que fomos passear, eu não lembro se foi em Praia Grande, ela foi na igreja católica comigo e rezou no altar do Santíssimo Sacramento, falou sobre a fé dela.

Ela também me falou que tinha medo de morrer, eu disse, eu também tenho Neusa, mas não de morrer, e sim do processo que vai me levar à morte. As nossas conversas eram muitas sobre a fé, a oração, nós duas tínhamos um diálogo muito precioso sobre a fé, eu sempre ia com ela fazer oração pelos pacientes, inclusive ela fez muita oração pelo meu pai, meus dois cunhados que faleceram ali no São José, eles, todos os pacientes, repousavam logo que ela fazia oração, era uma graça de Deus, uma emoção forte demais, eu e ela circulávamos por todo o hospital, a gente tinha essa liberdade.

A irmã uma vez chamou ela pra fazer oração, porque tinha desaparecido pasta, arquivo, acho que mais de uma, e logo apareceu. Outra vez sumiram joias da casa de uma enfermeira, ela também pediu oração, e a tua mãe tinha uma fé muito grande, nós católicos referimos a videntes, pessoas que têm esse poder, ela falou certinho onde estavam as joias, a enfermeira recuperou tudo e depois descobriu que o próprio irmão tinha roubado, olha, era incrível e será inesquecível tudo o que vivemos juntas por 13 anos.

Ela fazia a oração do responso, fez muitas vezes pra mim e por pessoas que me pediam pra pedir pra ela fazer a oração, e sempre aparecia o que tinha se perdido, agora acho que um pouco antes da pandemia ou um pouco depois, não lembro direito, ela se entristeceu, porque não tinha mais esse dom de vidente da luz, ela não via mais, aí eu consolei ela dizendo que tudo é um ciclo, e que tudo na terra tem um tempo determinado por Deus, e que esse ciclo pra ela tinha terminado, e que ela era e sempre seria uma ponte de oração e alegria, independente de não encontrar mais o que se perdia.

Ela queria muito voltar lá comigo, por fim ela estava meio esquecida, aí dizia sempre, Sirlei, é na quinta que tu vai, né, posso ir contigo, eu disse, com certeza pode vir comigo, tu vem só pra estar com os pacientes, mas desde que se afastou devido à fala, que dificultou bastante, ela nunca mais pôde voltar, porque a gente ouve muito, mas às vezes precisamos também falar, então ela não pôde mais voltar.

Fábio, aqui pra nós, uma fala que eu sinto e quero te falar, eu acredito, e as outras voluntárias íntimas dela, que estávamos sempre juntas, também pensam assim igual eu, acredito que a tua mãe só teve um verdadeiro amor no coração dela, que foi o teu pai, ela sempre falou dele com muita admiração e respeito, acima de toda traição que ela sofreu, ele foi o único amor conjugal da vida dela, tanto que ela sempre me falou que nunca foi empecilho entre ele e vocês, isso é digno de mulher honrada, de respeito, de valor e princípios morais, é admirável, ela tinha muitas qualidades.

Eu conheci ele no funeral e até comentei, ele é muito bonito, o eterno amor da Neusa. Ela me contou toda a história da primeira vez do sangramento nas costas, que era câncer, tudo o que o teu pai fez por ela, foi sempre grata pelos filhos que ela teve com ele e pelo tempo que ele esteve com ela, tenho certeza de que ela nunca teve sentimento ruim por ele, o amor perdoou, superou e aceitou a tristeza da separação.

Localização

Millenium Crematório e Funerária 

SC-445, 2118 - Liri, Içara - SC

Funerária ou Crematório responsável: