Algumas vidas são marcadas não apenas pelo tempo que atravessam, mas pela intensidade com que são vividas e pelo amor que deixam como herança. Assim foi a vida desta mulher cuja história começou em Criciúma, filha de Fiovo Minatto e Adalgiza de Barros. Desde muito cedo, sua trajetória tomou caminhos singulares, moldando uma personalidade forte, sensível e profundamente marcante para todos que tiveram o privilégio de conviver com ela.
Ainda na infância, após a separação de seus pais, aos três anos de idade foi para o Colégio de freiras alemãs de Forquilhinha, onde permaneceu até os dezessete anos. Ali construiu praticamente toda a sua formação, não apenas acadêmica, mas também cultural e humana. Entre livros, aulas e convivência no colégio, desenvolveu um repertório amplo e sofisticado. Aprendeu instrumentos musicais, diferentes idiomas, e cultivou um amor profundo pela literatura, pelo cinema e pela música. Cresceu naquele ambiente disciplinado e exigente, que ajudou a formar seu caráter firme e seu olhar atento para o mundo.
Mesmo tendo pouco convívio com os pais, que via principalmente durante as férias escolares, carregava lembranças marcantes. Contava com carinho das visitas de seu pai ao colégio, sempre trazendo presentes e jamais esquecendo seu aniversário. Essas memórias permaneceram vivas ao longo de sua vida, compondo a história de uma infância diferente, mas repleta de aprendizados.
Foi também no início da vida adulta que encontrou aquele que seria seu grande companheiro de jornada. Após sair do colégio, casou-se com Luiz Locks, com quem construiu uma história de amor e parceria que atravessou cinquenta anos, até a partida dele, em 2008. Juntos formaram uma família que se tornaria o grande centro de sua vida, sua maior alegria e seu maior orgulho.
Dessa união nasceram cinco filhos, Loni, Liege, Norbeto, e os gêmeos Luiz e Karina, que cresceram sob o olhar atento e apaixonado de uma mãe profundamente dedicada. Embora tenha se dedicado ao lar e à família, sem exercer uma profissão fora de casa, sua presença era ativa, intensa e marcante no cotidiano de todos. Era uma mulher de raciocínio rápido, memória impressionante e personalidade forte, sempre atualizada, curiosa e interessada pelo mundo ao seu redor.
Sua casa era também um espaço de histórias. Gostava de ler e narrar, e muitas vezes criava ou compartilhava histórias que encantavam os filhos. Mais tarde, os netos também tiveram o privilégio de crescer ouvindo essas narrativas, momentos simples que se transformaram em memórias preciosas. Havia em sua forma de contar histórias uma mistura de cultura, imaginação e afeto.
Ao longo da vida, demonstrava uma energia intensa. Era super ativa, observadora, perspicaz e acelerada, sempre vivendo com intensidade cada momento. Tinha um temperamento forte desde a infância, como gostava de lembrar em uma história curiosa, quando ainda no colégio, recusando-se a participar de uma apresentação musical, quebrou um violino em um gesto que revelava sua personalidade decidida e determinada.
Essa mesma intensidade acompanhou toda a sua vida. Costumava viver sempre em ritmo acelerado, e não era raro se envolver em pequenos acidentes de trânsito, situações que muitas vezes levavam seu marido, sempre paciente e compreensivo, a ajudá-la a resolver as circunstâncias com calma.
Apesar de sua firmeza, havia nela um coração profundamente amoroso. Era uma mãe apaixonada pela família que formou, e fazia questão de expressar sua gratidão por isso. Seu amor pelos filhos era imenso, acompanhado de uma forte preocupação em orientá-los para que seguissem sempre o caminho da honestidade, dos princípios e da integridade. Era exigente nesses valores e não aceitava que se desviassem deles.
Com o passar dos anos, sua alegria se multiplicou com a chegada dos nove netos, Gustavo, Pedro, João, Daniela, Bruno, Frederico, Valentina, Cecília e Gabriel, e posteriormente com os três bisnetos, Liev, Bernardo e Helena. Cada nova geração ampliava ainda mais o amor que já habitava seu coração. Pelos netos era apaixonada, e a chegada dos bisnetos completou uma alegria imensa que ela fazia questão de celebrar.
Os momentos que mais a faziam feliz eram simples, mas cheios de significado. Estar com os filhos, tomar um café ao ar livre, conversar sem pressa, passear, ouvir música clássica, ler um bom livro, assistir a filmes ou saborear uma boa comida eram pequenas alegrias que davam brilho ao seu cotidiano.
Mesmo quando a vida lhe apresentou desafios difíceis, como o Parkinson, que aos poucos trouxe limitações, sua postura permaneceu marcada pela força e pela determinação. Ela não se entregou à doença. Continuou lutando, vivendo e buscando aproveitar os momentos com aqueles que amava, mantendo acesa a mesma intensidade que sempre definiu sua maneira de existir.
Nos últimos tempos, residindo no Hospital Geriátrico Belluno, sua história já estava entrelaçada com a memória de todos que fizeram parte de sua vida. E mesmo diante das fragilidades do tempo, algo permanecia intacto, sua mente brilhante, seu raciocínio rápido e a presença marcante de quem sempre viveu de forma plena.
Sua trajetória foi, de fato, singular. Uma menina que cresceu longe de um lar tradicional, formada em um colégio de freiras que lhe proporcionou cultura e disciplina, transformou-se em uma mulher intensa, determinada e profundamente dedicada à família que construiu. Ao longo de sua vida, procurou transmitir aos filhos aquilo que recebeu de mais valioso, educação, princípios e amor pela cultura e pelo conhecimento.
Hoje, sua ausência deixa saudade, mas também deixa um legado poderoso. Permanece viva na memória de cada filho que orientou, de cada neto que encantou com suas histórias, de cada bisneto que chegou para ampliar ainda mais o círculo de amor que ela iniciou.
Sua história continua sendo contada nas lembranças compartilhadas em família, nas conversas ao redor de um café, nos valores que ensinou e nas gerações que ajudou a formar.
Porque algumas vidas não se encerram com a despedida. Elas permanecem vivas no amor que semearam, nas memórias que construíram e na história de todos que tiveram a felicidade de caminhar ao seu lado.
Localização
Millenium Crematório e Funerária
SC-445, 2118 - Liri, Içara - SC
Funerária ou Crematório responsável:
Que cada lágrima se transforme em lembrança de amor.
Paulo
Sinto muito Liege e irmaos! Que Deus conforte cada um de voces. E de a dona Zilda o descanso merecido!
Bea ronchi mello
Lembro da D. Zilda nos recebendo com carinho enquanto estudávamos com as filhas.Sorriso lindo. Acolhedora. Descanse em paz, querida!